Por mais “sawubona” e “sikhona” nas empresas

Enfim, o último post sobre o Fórum do Movimento de Empresas Humanizadas do ES. E hoje vou tentar escrever sobre o último palestrante do evento: Jorge Trevisol que, diga-se de passagem, fechou com chave de ouro!

Ele falou sobre empresas que curam. Mas, para isso, precisou falar de pessoas doentes. Porque as empresas estão repletas de pessoas assim. E elas nem sabem que estão enfermas! Isso me fez lembrar uma frase que escutei um tempo atrás: “doente atrai doente”.

Quando afirmo que vou “tentar escrever” é porque o que ele apresentou não dá para ser descrito. É para ser sentido, pensado, repensado, internalizado e, depois, vivido. Confesso que ainda estou digerindo tudo o que ouvi durante sua palestra e também depois, durante seu Workshop com o tema “Uma vida com significado”, que aconteceu nos dias 31/05, à noite, e 01/06, o dia todo.

Jorge é um desses palestrantes que te deixa desorientado, incomodado e com sede de mudança. Sua alma grita enquanto ele fala. E feliz de quem percebe o quanto precisa evoluir ao se dar conta da sua pequenez, vulnerabilidade, imperfeição. E mais feliz ainda quem entende qual é o seu propósito e porque está onde está.

Empresas que curam são aquelas que percebem isso. Elas são conscientes da sua fragilidade porque são formadas e lideradas por pessoas. E no decorrer de nossa trajetória vamos perdendo a capacidade de amar e ser amado, criamos armaduras, máscaras e esquecemos nossa essência. Então, entramos numa empresa (ou abrimos uma) e passamos a conviver com outras máscaras, criamos afinidades com quem compartilha das nossas doenças e a isso chamamos “empatia”, porque está na moda falar sobre isso, não é?! E quando você compreende que empatia, na verdade, requer reconhecer suas forças e fraquezas e também as dos outros, você precisa ter coragem para, primeiro, conhecer a si mesmo. Parafraseando Brené Brown: “é preciso coragem para ser imperfeito”.

Empresas que curam proporcionam um ambiente onde as pessoas podem ser quem, de fato, são: imperfeitas. Elas não são tratadas e nem vistas como se estivessem sendo “mimadas demais”, porque ao ajudá-las no seu desenvolvimento como SER humano, essas empresas formam pessoas que aprendem a lidar com suas limitações e, assim, aproveitam seu potencial em prol do negócio do qual fazem parte. Retirar as máscaras, “baixar as armas” e apresentar-se consciente de quem se é no individual e no coletivo, isso se faz num ambiente livre de julgamentos. Nele podemos estar presentes, inteiros, entregues e, consequentemente, gerar resultados.

Empresas que curam olham para a luz que há em cada funcionário, apesar de suas sombras. É um olhar acolhedor, desafiador, que “desafia a dor” que cada um sente, seja por qual motivo for.

Enfim, como comentei no início, escrever sobre a palestra do Jorge não é fácil. A mensagem que ele quis passar transcende o entendimento de muita gente. De todo modo, a você que chegou até o fim deste texto, deixo uma saudação tipicamente africana: Sawubona (“vejo você, você é importante para mim e eu te valorizo“). E espero que você responda com sua essência: Sikhona! (“estou aqui, eu existo pra você!”).

Por empresas que acolham seus funcionários com mais: Sawubona.
E por funcionários que colaborem com mais Sikhona.


Crédito das fotos: Vanessa Soares


Jorge Trevisol – Poderia escrever aqui um breve currículo sobre ele. Coisas do tipo: é formado em Filosofia, Teologia e Psicologia, mestre em Espiritualidade pela pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Doutor em Educação pela PUC de Porto Alegre. Mas, isso não descreve quem é a pessoa do Jorge… E eu tive o privilégio de conhecê-lo um pouco mais. #gratidão


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