Dicas para não deixar morrer sua Comunidade de Prática

Na década de 1990, Etienne Wenger e Jean Lave trouxeram o conceito de comunidade de prática (COP) como sendo um grupo de indivíduos que se reúne periodicamente por possuir interesses comum no aprendizado e na aplicação do que foi aprendido*.

Esse interesse nasce de algo que as pessoas querem aprender, não por obrigação, mas por prazer (qualquer semelhança com os princípios da Andragogia não é mera coincidência!). Nos encontros, as pessoas compartilham conhecimento, trocam experiências, levam seus problemas e encontram soluções.

É muito comum coexistirem diversas comunidades de prática no ambiente corporativo, mas elas não se limitam a esse contexto. Aplicativos como Telegram, WhatsApp, Zoom, Teams, e redes sociais como o Facebook oportunizaram a criação de comunidades de prática virtuais baseada no conceito inicial: o conhecimento é construído e compartilhado a partir das relações entre os membros e a aprendizagem ocorre quando eles participam ativamente.

É importante ressaltar que, conceitualmente, nem todo grupo de WhatsApp/Telegram ou comunidade criada em rede social é uma COP. A grande maioria desses grupos/comunidades virtuais constitui uma rede informal com o objetivo de coletar e transmitir informação. Já a finalidade básica de uma COP é desenvolver as habilidades de seus membros; formar e trocar conhecimento visando o aprendizado e aplicação do que foi aprendido.

Uma COP pode surgir espontaneamente, ou ser planejada, como aquelas que são implementadas nas empresas, por exemplo. Os princípios que a norteiam são baseados na Teoria da Aprendizagem Social (vale outro post só sobre isso!) e se não for “regada” corretamente pode morrer. Então, confira algumas dicas para isso não acontecer:

Comunidades de prática precisam revelar valores para seu crescimento.

Se a comunidade não demonstra ser valiosa, rapidamente as pessoas a abandonam por não encontrarem significado em sua participação e engajamento.

Cuidado para não tornar a COP uma mera rede informal de troca. 

Isso pode acontecer como consequência do crescimento excessivo da COP, que tem seu lado positivo: traz novas ideias e perspectivas, torna a comunidade mais vibrante, porém pode romper o padrão de interação que o grupo central da comunidade desenvolveu e, com isso, tornar-se uma ameaça para os seus membros, vindo a se desmembrar ou perder o sentido de comunidade, tornando, assim, uma mera rede informal de troca.

Saiba como reagir ao ciclo de energia da comunidade. 

Comunidades ativas passam por ciclos de energia alta e baixa como resposta às mudanças em sua prática, na composição de seus membros e no estabelecimento de relacionamentos. Com isso, os participantes passam a conhecer as abordagens uns dos outros e desenvolvem um senso de propriedade de seu conhecimento coletivo. Essa intimidade e propriedade ao mesmo tempo em que facilitam a colaboração também podem levar à estagnação, reagindo friamente a novos membros e perspectivas. Ao notar essa energia, é preciso reagir rapidamente, ajudando a acolher os novos membros, a apontar novas oportunidades de conhecimento e a assumir novos desafios de aprendizado.

Deixe claro quais as características e os desafios da comunidade. 

Como no desenvolvimento humano, não se pode esperar que o desenvolvimento de uma comunidade seja livre de conflitos. Costumo dizer que “onde há gente, há problemas”. Portanto, tornar claro quais são as características e os desafios pelas quais a COP está passando, e como cada integrante pode contribuir, corrobora para o senso de pertencimento, para o fortalecimento e para a sobrevivência da comunidade.

 

Gostou dessas dicas? Elas foram retiradas (com adaptação) do livro Gestão da Educação Corporativa – Cases, Reflexões e Ações em Educação a Distância, organizado por Eleonora Jorge Ricardo e publicado pela Pearson Prentice Hall (2007). Recomendo a leitura!

Hoje, as comunidades de prática evoluíram bastante para o contexto virtual graças às Tecnologias de Informação e Comunicação. Por isso, o desafio de mantê-las ativas e proporcionando novos aprendizados é ainda maior.

Se você  participa de alguma comunidade de prática, compartilha nos comentários como tem sido essa experiência e o que ela faz para se manter dinâmica e gerando novos conhecimentos.

Até a próxima!


*LAVE, J; WENGER, E. Situated Learning: Legitimate Peripheral Participation. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.


Foto destaque: Gerd Altmann por Pixabay

1 comentário em “Dicas para não deixar morrer sua Comunidade de Prática

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