Expediente #4 – Reinventando as avaliações com metodologias ativas

O quarto episódio do Expediente discutiu os modelos de avaliação de alunos e a necessidade de reinventá-los com o uso de metodologias ativas. O tema foi sugerido pelo professor André Simões, que iniciou o debate ressaltando que o tradicional nem sempre é tão ruim assim. No caso do processo avaliativo, é muito importante, primeiro, saber o que e para que avaliar e, a partir disso, diversificar as formas, não se restringindo ao caráter quantitativo. Em contrapartida, André destacou que os modelos tradicionais de avaliação não servem quando se deseja trabalhar com metodologias ativas, porque eles não estão coerentes com o que se deseja obter do aluno.

Essas avaliações não são motivadoras, não apresentam significado para o nosso aluno.

A professora Juliana Santos pontuou que não se pode iniciar qualquer atividade com o aluno, nem mesmo o diagnóstico, sem, antes, definir o objetivo da aprendizagem e o que ele precisa, de fato, saber, ao final do percurso de sua formação, para consolidação das capacidades e habilidades. Para Juliana, a grande questão que a educação atual atravessa é como medir o desenvolvimento das competências necessárias para o Século XXI por meio de processos tradicionais de composição de aulas, de planejamento, de trilhas – quando estas, muitas vezes, nem existem. Nesse ponto, a professora defende o uso de avaliações por rubricas, que envolve critérios e níveis de avaliação por meio de linhas e colunas, respectivamente.

Precisamos fazer um “contrato didático” com os alunos, informando o sistema de avaliação a qual será submetido e como vai ser o processo. Eles precisam saber no que e como serão avaliados, quais critérios serão considerados, quais entregas deverão cumprir… O processo precisa estar claro.

Para Joelmo Costa, o modelo de avaliação só muda quando acontece, paralelamente, mudança de estrutura da sala de aula. “Essa é a base para que outros processos de aprendizagem mais disruptivos também aconteçam, incluindo aí a aplicação de metodologias ativas”. Segundo o professor, não adianta fazer uso de métodos ativos de aprendizagem e aplicar um modelo de avaliação que impossibilite o aluno ser protagonista e mostrar o que realmente sabe. Da mesma forma, não adianta ter uma estrutura tradicional de ensino com uma proposta de avaliação inovadora. “Os dois precisam andar juntos e essa necessidade nunca foi tão grande como agora”. Isso requer o envolvimento de todos – da instituição, dos professores, dos alunos – e muito planejamento, porque não é algo simples, que acontece da noite para o dia. “É mudança cultural”. 

Os convidados destacaram, ainda, que qualquer tipo de avaliação é um processo e não um produto. E o aluno não deve ser mais avaliado pelo conteúdo “retido”, mas pelas habilidades, competências e conhecimentos adquiridos e desenvolvidos durante sua formação. “O produto não precisa mais ser a prova. Vamos focar no que queremos avaliar. Avaliação é um processo e os seus produtos são construídos a partir do processo adotado”,  explicou Juliana Santos. Nesse sentido, pode ser uma apresentação; um projeto; uma situação de aprendizagem; um protótipo; um seminário; uma música… Só para citar alguns exemplos mencionados pelos convidados deste quarto Expediente.

Para conferir a íntegra dessa conversa, acesse o vídeo a seguir:


 

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