Em meio à pandemia, adote uma fada madrinha

Texto escrito pela Co11ectada Carolina Abdalla

Este texto não vai trazer nenhuma tecnologia nova ou prática e nem vai abordar sobre metodologia ou narrativa. O objetivo aqui é falar sobre estratégias de superação.

A atividade do professor na EaD faz dele um professor ator. Pelo menos é assim que eu chamo o docente que atua com a educação on-line devido à tantas outras competências que precisa desenvolver em um cenário de mudanças necessárias.

A relação estudante x professor – e tudo que está envolvido nisso – é a minha grande inspiração nesses 12 anos de carreira acadêmica. E vou contar algumas histórias que representam muito bem a importância desse tema…

Em todas as salas de aulas onde trabalhei, seja na modalidade on-line ou presencial, sempre teve aquele estudante que queria mais, apresentava-se com um sorriso no rosto e fazia valer a pena eu me colocar na linha de frente como professor, compartilhar e querer aprender mais. Assim que a faculdade implementou o modelo a distância para 20% da carga horária dos cursos presenciais, atuei como tutora. Um estudante me marcou, porque enviava muitas perguntas e mensagens e, nesse vai e vem, uma delas foi informando que ele iria passar por uma cirurgia muito arriscada e qualquer que fosse o resultado, queria me agradecer pelo tanto que eu contribui para o seu desenvolvimento. Esse aluno retornou da cirurgia bem e continuou seus estudos on-line comigo, tornamo-nos ainda mais próximos, mesmo sem nunca termos nos conhecido presencialmente.

Em uma outra Instituição de Ensino Superior, no modelo presencial, com o objetivo de inovar e aplicar o que estava aprendendo sobre metodologia ativa numa determinada disciplina, fiz roda de debates programados, gamificação e pouca aula instrucional. Logo no primeiro dia de aula, uma aluna veio me pedir para se ausentar e procurar a enfermaria. Puxa vida! Claro… E, no final da aula fui acompanhá-la. Ela me disse que era muito tímida, estava com síndrome do pânico e esse modelo de aula a deixava muito vulnerável. Sentamos e conversamos longamente sobre quais estratégias poderíamos usar e durante todo o semestre fui observando um esforço e uma alegria a cada conquista sua. No final, a evolução que ela teve na relação com as pessoas e na desenvoltura para expressar suas ideias foi algo incrível!

Ah, se ela soubesse o quanto me fez acreditar ainda mais nas metodologias inovadoras…

Foto: arquivo pessoal da profª. Carolina Abdalla

Em uma dessas famosas votações para representante de classe, um dos estudantes mais tímidos da turma se candidatou e disse: “tenho dificuldade na comunicação com o público e preciso exercitar”. Com essa ousadia toda, ele conquistou todo mundo! Então, aproveitei a disponibilidade que ele estava em aprender e propus que escolhesse uma aula do semestre para trabalhar comigo e apresentar uma parte dela. Mesmo que tenha notado uma grande satisfação e empolgação no seu “sim”, achei muito estranho a demora para me apresentar o que havíamos combinado. E, mais uma vez, fui surpreendida! Como ele tinha fluência em japonês e inglês, enviou um e-mail para várias professores dessa disciplina em universidades no exterior para perguntar como eles abordavam o tema e suas práticas.

Como não amar a minha profissão depois de um resultado desse? Pra mim, era claro que estava fazendo a diferença na vida desse estudante. Mas, será que ele também sabe o quanto fez diferença na minha?

Para finalizar, quero contar sobre a sala de aula de um curso de Administração, turma do primeiro semestre. Quem já ministrou aula para esse curso sabe do que eu estou falando: sobre a quantidade de alunos e a ansiedade da adolescência. Logo no início, parecia que minha fala não estava surtindo efeito e tinha pouca adesão da classe. Mas, logo apareceu um sorriso tão grande que me inspirou para fazer todo aquele semestre valer a pena. Aquele sorriso fez eu confiar tanto em mim que consegui fazer roda de conversa, dinâmica no ginásio de esportes, atividades em diversos espaços da faculdade e com muita participação de todos.

Se meus alunos soubessem como eles realizaram o meu sonho, como eles me estimularam para me tornar a minha melhor versão…

Por isso, nessa pandemia, adote um aluno que possa ser sua fada madrinha e ajudá-lo a superar as dificuldades e surpresas que a tecnologia, a aula remota e o on-line podem trazer.

Vamos superar juntos e com uma educação de qualidade.


 

3 comentário em “Em meio à pandemia, adote uma fada madrinha

  1. Que bom ouvir estes relatos, Carol… fazer a diferença e ser tocado por esse sentimento é algo muito significativo. Não tem preço! Parabéns pelo belo texto e mostrar um pouco pra nós como impactamos as pessoas e somos impactadas também… parabéns!

  2. Parabéns, Professora Carolina!
    Pelo texto irreparável e por compartilhar experiências tão significativas. Me emocionei.
    Bjs.

  3. Lindo o seu testemunho em ser transformada em “fada madrinha”.
    Não sou professora, mas no meu projeto posso ser ” fada madrinha ” dos pacientes que passam por lá.

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