A afetividade pode e deve existir na EaD

Contribuição da Co11ectada Maria Bethânia Batista

 

Muitas vezes, quando estamos interagindo no mundo virtual, a tecnologia parece fria, nada afetiva! Em parte, ela é assim mesmo. A tecnologia é só um meio no processo educacional. Cabe ao professor, tutor ou outro responsável pelo uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) desenvolver habilidades e competências técnicas e comportamentais que transformem o afeto em uma interação mais humana, amigável e prazerosa. São tantas ferramentas disponíveis e usuais em nosso cotidiano que nos esquecemos que somos nós a parte humana da interatividade.

É sempre bom lembrar que somos dotados dos cinco sentidos. Somos o meio para a afetividade e humanização da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem. Somente a nós cabe entender que a “interação humana é o ápice da educação.

De acordo com Santos e Mendes (2013), diversas situações conflituosas podem ocorrer, principalmente na Educação a Distância, diante de uma turma não satisfeita e permeada de conflitos de diferentes naturezas. O que pode piorar esse cenário é o fato de que, na EaD, a interação com os alunos não se dá, na maioria das vezes, de forma presencial. Sendo assim, a postura do professor-tutor, enquanto mediador, faz total diferença para a permanência do aluno no curso, diminuindo o desconforto e o stress causados por determinadas situações que, inevitavelmente, acontecem em um processo onde a comunicação, por se dar de forma virtual, pode ser, na maioria das vezes mal interpretada, não assimilada ou não compreendida.

Muitas das queixas dos alunos, de acordo com a própria experiência das autoras, é o relato dos estudantes que, por vezes, sentem-se solitários no processo de aprendizagem, gerando desmotivação, acúmulo de conteúdos, prazos curtos e consequentemente a evasão escolar.

Dado esse contexto, o professor-tutor, deverá estar atento aos alunos desenvolvendo ao longo do curso a sua afetividade.

Mas o que seria esta afetividade? Qual a sua importância no processo de ensino e para a aprendizagem? Como deverá ser desenvolvida entre tutor e aluno? Essas e outras perguntas relativas à afetividade serão levadas em consideração e analisadas a partir desse momento neste artigo.

A afetividade quando demonstrada em sala de aula, seja ela síncrona ou assíncrona, resulta em conexão, aproximação e gera experiências positivas, trazendo benefícios na aprendizagem do aluno.

A segurança e a confiança depositadas no professor são fundamentais para a construção do processo de aprendizagem. Por que destacamos a importância da afetividade no ambiente escolar? O afeto não está somente no ato de carinho como cumprimentar, abraçar ou beijar o aluno no momento da chegada à sala de aula, mas também no olhar confiante do professor em relação à aprendizagem do aluno que proporciona segurança e equilíbrio entre ambos.

Como acontece na EaD, se na maioria das vezes, esse olhar confiante do professor não existe, uma vez que as interações acontecem, com uma frequência maior, de forma assíncrona?

No ambiente escolar, o professor tem que estar equilibrado emocionalmente, além claro de dar atenção ao aluno e estar atento ao que ele verbaliza. Deve se aproximar, elogiar, saber ouvir e reconhecer o esforço do aluno, acreditando na sua capacidade de aprender e de ser uma pessoa melhor. Essas ações favorecem a afetividade no aluno. O professor proporciona segurança e respeito na forma de expressar seus sentimentos. O carinho e a atenção são parte da trajetória na construção da aprendizagem mútua e significativa, sendo apenas o começo do caminho a ser percorrido pelo aluno no período de escolarização.

Como tudo isso pode ser demonstrado na EaD?

Vou citar algumas práticas comuns do dia a dia do professor na EaD que podem favorecer a afetividade e por consequente a aprendizagem e que podem ocorrer de forma assíncrona:

  1. Fórum;
  2. WhatsApp;
  3. Estudo de caso;
  4. Visitas técnicas especializadas;
  5. Estágio Supervisionado.

Dada a importância da afetividade, torna-se relevante conhecer o significado efetivo da palavra. No vídeo, “Afetividade na EaD”, Monteiro (2015) coloca que a afetividade não é somente o contato, é o estado psicológico que permite ao ser humano demonstrar os seus sentimentos e emoções a outro ser ou objetos. Logo, diante dessa definição, corrobora-se que a afetividade deve acontecer entre professor-tutor/estudante e também ser estimulada entre estudante/estudante. O autor do vídeo ainda evidencia que quando se cria um laço (por meio de um fórum, chat, videoconferências, entre outros) pode estar criando o afeto. E são nestes momentos de interação entre os envolvidos que se cria a afetividade. Monteiro (2015) demonstra também que segundo Piageat, tal estado psicológico será de grande influência no comportamento e no aprendizado dos envolvidos, juntamente com o desenvolvimento cognitivo.

Acreditamos que a afetividade faz a diferença no desenvolvimento da relação professor e aluno.

Agora, tire alguns minutinhos e conte como você desenvolve a afetividade com seus alunos. Experiências trocadas podem fazer a diferença no ensino e na aprendizagem de um ou vários discentes.


Texto escrito pela Co11ectada Maria Bethânia Batista com a participação de Sara Luíze Oliveira Duarte e Renata Costa.


Referências:

MONTEIRO, Fernando. Afetividade na EaD. 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=quOWNOPC9Tc>. Acesso em 17 mar. 2018.

SANTOS, Letícia Machado dos; MENDES, Mônica Campos Santos. Tutoria em EaD: em busca de uma prática afetiva e efetiva do aprendizado. 2013. Disponível em: < www.abed.org.br/congresso2013/cd/51.doc> Acesso em 18 de maio de 2018.

 

Para um aprofundamento maior sobre a Afetivamente recomendamos o estudo de:

Henry Wallon (1996, 1999); Maria José de Araújo Pereira e Renata Golçaves (2010); Fernandez, (1991); Dantas, (1992); Snyders, (1993); Freire (1994); Codo e Gazzotti, (1999); Sérgio Antônio da Silva Leite e Elvira Cristina Martins Tassoni (2017), entre outros.


 

3 comentário em “A afetividade pode e deve existir na EaD

  1. A partir da afetividade no construto de relações pela ead por meio das opções abordadas pelo artigo acaba por se aproximar do aluno. Não substitui o presencial logicamente, mas é um cuidado para se evitar o distanciamento entre aluno e escola, o que por meio de envio de materiais para realização de atividades e conversas pelo vídeo chamada aproxima e rompe barreiras, tendo pela a tela o elo afetivo se fortalecer.

  2. Sem afetividade não haverá troca e nem aprendizagem. É com afetividade que nos humanizados, aprendemos a respeitar e sermos respeitados. Na aprendizagem, a transferência se dá quando temos e sentimos afeto pelo aprendiz e, por conseguinte, o aprendiz pelo docente.

  3. Olá Maria B,eu gostei muinto dos destaques a que você deu importância com extrema sinceridade, um tópico que mexe muinto com o estudo a distância é a solidão mesmo,se sentir sozinho ali dentro do espaço virtual do aluno,é mesmo muinto importante a abordagem do tutor neste contexto,nos alunos passamos por fazes neste período de estudo que nem sempre caberá ao tutor, as lives,aos fóruns ,seja no nosso material disponível ali,poder ser orientados da forma correta,*digo entre parênteses ao pessoal,que como você destaca já no estudo presencial, temos todos os tipos de interação com os amigos de sala e até mesmo com de outras salas,classes e períodos e até mesmo que estão estudando outra especialidade, isso ajuda muitíssimo ,porisso à importância de nossos tutores que estão de parabéns, abordando sempre assuntos diferenciados na modalidade 100%online.Somente agradecer a você e a todos pela dedicação com os que escolheram está forma para estudar,aprender,é isso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.