Priscila Pires | Aprendizagem por experimentação

No mês de março, Priscila Pires participou do 2º Fórum Ler e Pensar: Informação transformada em conhecimento, evento on-line promovido pela Gazeta do Povo e pelo Instituto GRPCOM, que reuniu especialistas e entusiastas da Educação com o objetivo de fomentar a leitura, a cidadania e a alfabetização midiática por meio de ações que usufruem da educomunicação. Priscila fez um compilado das principais discussões do evento para compartilhar, com exclusividade, aqui no Blog.

E ela deu prosseguimento a este assunto na Live do dia 16 de abril, às 19h30, no perfil do Instagram EaD em Pauta.

Confira o texto a seguir.


Foi um percurso muito rico de palestras, mas vou me atentar para a de Luciano Meira, José Moran e Guilherme Sandle, pois a transversalidade das falas permeou pela inovação, motivação e criatividade sempre ancorados pela ideia da experimentação, em que o estudante é o sujeito ativo do seu processo de aprendizagem.

Meira, com seu jeito despojado, colocou seu foco no engajamento dos estudantes ao considerar o uso das estratégias inovadoras, incluindo os jogos, por exemplo. E, independentemente do uso da tecnologia virtual, a proposta é estarmos atentos à “entrega de um valor que transforma o comportamento das pessoas”. Trouxe para o debate que ainda são usadas metáforas antigas para abordagens atuais, como por exemplo, falar em “retenção da aprendizagem”. Já paramos para pensar que “o que retemos é líquido?!”. Logo, falar em retenção, é dizer que o estudante aprende para guardar, fixar, frear, interromper, represar e estagnar o que conheceu, sem que consiga extrapolar da teoria para a prática, da leitura de conceitos para a realização, para o olhar crítico e ativo diante do mundo. Assim, é preciso criar cenários de aprendizagem que desperte o interesse e favoreça o engajamento e as estratégias dos jogos pode contribuir para a experimentação, com missões e desafios que mobilize o imaginário para o alcance de objetivos. A ideia do jogo não está na mecânica do estímulo-resposta, mas “no trabalho com narrativas que conduzem à ação e à tomada de decisões, em situações complexas”. Um bom exemplo para planificar esse contexto pode estar no desafio da resolução de problemas e no desenvolvimento de projetos, em que toda a comunidade escolar pode experimentar visões diferenciadas diante do cenário comum para todos.

Experimentar e se lançar à inovação significam sair da bolha paralisante para o campo aberto de possibilidade; é atuar em parcerias, é se permitir às tentativas e aos erros, é demonstrar vulnerabilidades, é sair do modo rígido para o flexível e autônomo. É dialogar para um processo de inovação sustentável e inclusivo.

Moran, na sua serenidade, dialoga com Meira ao refletir sobre as necessidades individuais e na aprendizagem que se dá na conexão com os significados e momentos de vida de cada um. A aprendizagem significativa tem a ver com conhecimentos, valores e ações em ebulição, com o conhecimento que se amplia, é a provocação para a mudança, é a reorganização de algo que ainda não estava consolidado. Há emoção, envolvimento, sentimento e “mexe com a forma de ver o mundo e, por isto, impacta em suas ações. É deixar alguma marca”. Aprende-se quando motivado, no aguçar da curiosidade, ao se sentir surpreendido e sensibilizado; é por um propósito. Moran sugere que se invista em lançar desafios, imergir em novos contextos, experimentar, questionar e, para isso, é importante haver ambientes enriquecedores, atividades diversificadas, contato com diferentes realidades e pessoas.

Com isto exposto, é usar modelos híbridos, flexíveis e com metodologias ativas em favor do indivíduo em constante aprendizado para além do espaço formal chamado escola.

Sandler, um jovem experiente professor, conduz o diálogo para a importância da aprendizagem criativa e que, na maioria das vezes, o currículo organizado de forma linear não permite a introdução de momentos de ativação dessa aprendizagem. “Lembram-se da forma de aprender do jardim da infância? É disso que estou falando”. A aprendizagem criativa não é uma abordagem, mas é a oportunidade de gerar possibilidades em diferentes situações. É ir além do currículo e de conteúdos, mas com a proposta do desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes. Assim como Meira e Moran, Sandler sugere o encorajamento para a exploração e experimentação de conceitos, técnicas, materiais, espaços e o que mais for possível.

É se abrir para as oportunidades ao explorar o que se tem para atender às necessidades encontradas. É criatividade e propósito coletivo!

Meira deixou um exercício interessante que pode auxiliar para a mudança sustentável, comunitária e experimental. É a solução das três caixas:

  1. O que vou continuar fazendo?
  2. Quais coisas vou deixar de fazer?
  3. Que coisas novas vou fazer? O que vou experimentar?

O diálogo coletivo é para reinventar o jeito de atuar, ao traçar um percurso que, pouco a pouco, vai se consolidando.

Em tempos atuais, a reflexão é sobre continuar fazendo as mesmas coisas e obtendo os mesmos resultados, ou abraçar o experimento de novas possibilidades e poder usufruir de conquistas não antes comemoradas.


Priscila Pires é turismóloga, educadora, designer instrucional e atua na área de educação presencial e on-line há mais de 10 anos. Morando em São Paulo, iniciou o Mestrado na Universidade Aberta de Portugal, em 2018, e criou um blog para disponibilizar os conteúdos pesquisados no decorrer do curso. É uma entusiasta pelo universo da educação, por isso se coloca a disposição para dialogar sobre o assunto.


Crédito da foto: Manfred Steger por Pixabay

2 comentário em “Priscila Pires | Aprendizagem por experimentação

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