Muita empatia nessa hora!

Texto escrito pela Co11ectada Fernanda Furuno

Você sabe a diferença de Empatia e Simpatia? Vamos iniciar com um vídeo:

Como podemos observar, muitas vezes entramos no “piloto automático” e somos muito mais simpáticos que empáticos e isso se reflete em várias áreas da nossa vida. Na educação não é diferente.

Focando neste segmento, em meio à essa pandemia do COVID-19, estamos acompanhando muitas instituições de ensino se tornando “digitais” do dia para a noite, gerando uma grande insegurança tanto da gestão, quanto dos docentes, alunos e pais, que até alguns dias atrás estavam habituados com metodologias 100% presenciais.

Notamos que aquelas organizações que já tinham aderido à cultura digital ou já atuavam em EAD, enfrentaram um pico de trabalho grande, mas se estruturaram rapidamente, porém estamos acompanhando aquelas que ainda estão se organizando para tal, e que caso as ações emergenciais não forem estrategicamente implantadas, logo serão impactadas pela grande evasão e inadimplência.

Na última edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, dois temas me chamaram a atenção:

  • Tecnologias Inclusivas: O CEO do Google e do Alphabet, Sundar Pichai, declarou que “as pessoas têm fome de tecnologia”, e que as empresas têm o “dever de torná-la inclusiva”. “A tecnologia tem o poder de transformar a sociedade e o risco é deixar as pessoas para trás, criando novas desigualdades”.
  • O trabalho vai mudar: Para Ginni Rometty, CEO da IBM, “as mudanças climáticas nos forçarão a mudar 100% dos empregos. Precisaremos de uma reconstrução maciça e uma mudança de paradigma em torno de novas habilidades e será necessário um novo modelo de educação, mas para fornecer essas  novas ‘habilidades”.
Fonte: https://www.sunoresearch.com.br/noticias/dez-principais-ideias-apresentadas-davos-2020/

Notem que o evento ocorreu em janeiro, quando ainda não se falava tanto do Coronavírus e nem da questão do isolamento social… Lembro que, por fazer meus clippings diários sobre EAD, via as iniciativas surgindo, na China, de fechamento das escolas e os alunos estudando on-line. Cheguei, naquela época, a compartilhar no meu LinkedIn, mas poucos deram importância… 

Mas, o fato é que se focarmos na Educação, depois que esta pandemia passar, realmente o trabalho vai mudar e estamos vivendo um momento que as pessoas precisam se preocupar com o uso das tecnologias sem excluir…E aí que entra a estratégia da empatia…

Será que as instituições conhecem bem o perfil dos seus docentes e dos seus alunos? Será que já aplicaram ou estão aplicando o mapa da empatia para saber se as soluções, as orientações e as determinações que estão tomando estão adequadas? Será que os gestores não estão tomando decisões centralizadoras, que podem impactar negativamente professores e alunos por desconhecerem a realidade deles?

A Co11ectada Bethânia Batista, complementa: “Temos que entender que, na educação, se a empatia estiver dentro da cultura da Instituição, menor será a evasão, grande problema encontrado pelas Instituições do Ensino Superior (IES). Nunca vi a palavra empatia escrita na Missão, Valores ou Política de uma Instituição. Não esqueçamos que cada escola (ou turma talvez) demandará um tipo de empatia diferenciada. Por exemplo, os alunos de Ensino Médio de uma escola pública, na periferia, pode demandar o desenvolvimento de uma empatia diferente de uma escola privada, onde talvez os alunos não trabalhem, têm acesso a uma velocidade de internet superior, têm uma infraestrutura melhor para o desenvolvimento de suas atividades, um ambiente familiar mais estruturado, tempo disponível para estudo, enfim. O contexto das várias tantas variáveis influenciará o trabalho de todo professor para que possa utilizar a empatia e alcançar o objetivo da educação, que é transformar os alunos em seres humanos dinâmicos, criativos, reflexivos, com autonomia suficiente para a tomada de decisão”.

Será que esses gestores estão usando ou desenvolvendo as habilidades que o Fórum Econômico Mundial previu para os profissionais até 2022, por meio do seu relatório “Future of Jobs“?

  1. Pensamento analítico e inovação
  2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem
  3. Criatividade, originalidade e iniciativa
  4. Projeto e programação de tecnologia
  5. Pensamento e análise críticos
  6. Solução de problemas complexos
  7. Liderança e influência social
  8. Inteligência emocional
  9. Raciocínio, resolução de problemas e ideação
  10. Análise e avaliação de sistemas
Fonte: Acesse o relatório em http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs_2018.pdf

Este é um ótimo momento para colocar em prática esse exercício. Para a gestão desta crise toda é essencial que todas essas habilidades saiam do papel e sejam realmente colocadas em prática, não só em ações das instituições, mas também como exemplos para a formação dos alunos.

A Co11ectada Sara Luize Duarte, reforça: “Quantas habilidades teremos que desenvolver para dar conta das nossas demandas em tempo de crise (ou pandemia) e também para olhar para um cenário mais complexo, conectado, tecnológico e globalista? É perceptível que ainda não estamos 100% preparados para lidar com a ‘virtualização da presencialidade’. Neste contexto, em meio a esse tsunami de informações, para atender a tantas demandas, como reuniões, planejamento, roteiro e preparação de aulas, considerando todas as obrigações acadêmicas, a EMPATIA deveria ser a principal habilidade em nosso ofício docente. Enquanto educadores, devemos ter isto no DNA.”

Recomendo que tracem o mapa da empatia dos alunos e professores, considerando, neste momento, o estudo remoto, para assim, traçar as melhores estratégias de “sobrevivência” neste período de isolamento social:

  • O que eles pensam e sentem?
  • O que escutam?
  • O que falam e fazem?
  • O que vêem?
  • Quais são as dores deles?
  • Quais são seus ganhos?
Saiba mais sobre o Mapa da Empatia em: https://inovacaosebraeminas.com.br/conheca-o-mapa-da-empatia/

“Em tempos de isolamento social a empatia do professor perpassa – do sentimento de observar e saber do que o aluno está sentindo ou necessitando fisicamente – para um universo mais digital. O professor deixa de ser presença física para ser a virtual com a responsabilidade de saber incluir seus alunos nos diferentes contextos, pois cada um tem sua realidade de vida social e tecnológica. Neste sentido, é preciso compreender que a tecnologia é o meio – talvez o único,  neste momento – para motivar o diálogo entre as partes envolvidas no processo educacional. É essencial que o professor – no que tange, principalmente a inclusão – consiga diversificar os recursos pedagógicos (ou andragógicos) em suas atividades remotas, fazendo com que o ensino e aprendizagem mediado pela tecnologia seja prazeroso e sem prejuízos ao objetivo final: ensinar e aprender com qualidade”, ressalta a Co11ectada Renata Costa.

Alguns vão chegar à conclusão de que as ações estão alinhadas como seu público, outros vão concluir que elas precisam ser adequadas, mas esta análise vai auxiliar em estratégias mais assertivas e mais que isso, podem ser traçadas em conjunto com eles, tornando-se, assim, até mais eficazes.

Conhecendo a realidade e o sentimento daqueles que nos cercam, temos mais condições de ajudá-los. E este é um momento que precisamos muito dessa ajuda mútua, aproveitando a oportunidade de explorar contextos digitais e metodologias inovadoras, para que ao final desta pandemia, todos tenhamos a sensação de termos saído mais amadurecidos desta fase, e certamente não vamos mais olhar as formas de estudar e trabalhar da mesma forma que antes.

Seguimos em frente! Com muita empatia, por favor!


Nota: Este artigo está sendo publicado simultaneamente em dois canais: neste blog EaD em Pauta e no portal Desafios da Educação, ótimos canais para vocês se manterem informados e atualizados sobre o contexto educacional brasileiro e mundial.


 

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