Microlearning e metodologias ágeis para cursos via WhatsApp

Por: Renata Costa e Marilene Garcia


Que a educação passou por um processo de aceleração em 2020 já não é mais novidade para nós. A “quase” grande novidade desse processo foi o uso do aplicativo de comunicação instantânea WhatsApp como ferramenta educacional, em especial pelos professores da rede pública. Essa foi nossa experiência. Ao final, encontramos professores muito satisfeitos com suas conquistas. Isso pode ser observado também pela pesquisa de maio/2020 do Instituto Península que nos mostrou que 83% dos professores entrevistados afirmaram utilizar o WhastApp como ferramenta de comunicação com os alunos e seus familiares ao invés de tecnologias da própria escola. Na rede privada, a preferência pelos ambientes virtuais de aprendizagem sobressaiu ao uso do WhatsApp somente 56% dos professores utilizaram o aplicativo, em contrapartida 88% dos professores da escola municipal utilizaram essa ferramenta e da estadual 85%.

Essas informações, de uma forma ou de outra, não deveriam causar muito espanto, pois ao olharmos para todos os lados, vemos pessoas com celulares nas mãos, realizando todo tipo de atividade, a partir de qualquer lugar e qualquer momento. Entre elas, também se encontram professores realizando algum tipo de interação pedagógica com seus alunos.

Mas, na prática, será que cursos ou aulas por meio do aplicativo WhatsApp são recomendados para um processo de ensino e aprendizagem de qualidade? Acreditamos que sim, desde que sejam fundamentados em três conceitos:  microlearning, metodologia ágeis e objetivos de aprendizagem claros. Ainda assim, é essencial haver uma análise prévia do que se irá ofertar nesse formato para não comprometer o sucesso do curso, pois nem todos os conteúdos e objetivos de aprendizagem se encaixam em um design educacional com base no microlearning.

O conceito básico do microlearning remete a interações entre professores e alunos, cujas ações demandam pequenas quantidades de conteúdo, que são adequadas ao momento. Para tanto, professores e alunos se organizam em grupos, orientados à construção conjunta de soluções a desafios propostos.  Com base em uma linguagem simples, os microconteúdos são caracterizados pela sua objetividade, trabalhados em aulas dialógicas com recursos educacionais diversificados em vídeos, textos, podcasts, jogos, animações, cards e avaliações. Por exemplo, os vídeos não podem ultrapassar três minutos de duração.

Quem opta por um curso rápido está em busca de novos conhecimentos, dispende de pouco tempo e quer uma forma focada para aprender, visto que o mercado está cada vez mais exigente e acelerado. Desse modo, o microlearning é indicado para ambientes on-line com demandas instantâneas. No âmbito corporativo, muitas empresas estão transformando o WhatsApp em plataforma educacional de baixo custo e  utilizam esse modelo para treinamentos com intento de atualizar seus colaboradores de forma mais rápida do que a convencional.

Outro conceito-base para o sucesso do microlearning via WhatsApp é o de metodologia ágil. A construção ativa, participativa e coletiva dos saberes é essencial para o processo de ensino e aprendizagem. O conceito ágil requer do aluno mais autonomia na aprendizagem. Em função da atividades focadas e rápidas, este aluno se torna mais responsável e interessado pelo que aprende, enquanto o professor adota o papel de mediador e orientador das atividades.

Para tanto, o design do curso deve viabilizar atividades individuais, como também o encontro de alunos em pequenos grupos a fim de tomarem decisões conjuntas. Nesse sentido, cursos baseados nas metodologias ágeis precisam ter uma orientação muito clara, por exemplo, com a divulgação de um calendário-agenda, no estilo checklist, em que o participante possa interagir e programar a sua participação de forma segura e antecipada. A metodologia ágil é focada no “fazer agora” e no “mão na massa” e valoriza a colaboração entre os participantes para o encontro de soluções criativas. Dessa forma, ela tende a contribuir para o sucesso dos cursos em microlearning via WhatsApp.

Por fim, e não menos importante, esses cursos rápidos precisam ser bem planejados e construídos em bases sólidas que consolidem a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Esses requisitos precisam ser fundamentados no design educacional que valoriza o fazer rápido, com proporções pequenas e tempos curtos. Da mesma forma, necessitam ser estruturados com base didática, interativa, não-linear, que possibilitem autonomia ao aprendiz. O designer educacional desses cursos via Neste  precisa ser um profissional multidisciplinar, capaz de construir interações que promovam o processo colaborativo e coletivo, fazer a gestão e avaliar os resultados.


Renata Costa é Mestre em Design e Expressão Gráfica (UFSC); especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas a Educação (PUC) e Formação de Professores para o Ensino Superior (UNINOVE); graduada em Matemática Aplicada a Informática (FEPI) e graduanda em Licenciatura em Artes Visuais (UNINTER). Atua há quase 24 (vinte e quatro) anos nas áreas educacional e de tecnologia. Atualmente, é coordenadora e professora dos cursos de TI do Centro Universitário Braz Cubas, uma das instituições do Grupo Cruzeiro do Sul, professora convidada de Tecnologias Educacionais da PUC Campinas e consultora de educação a distância.

Profa. Dra. Marilene Garcia atua há mais de 25 anos no campo da educação e uso de tecnologias digitais nas modalidades presencial e a distância (EaD), realizando também consultorias ad hoc. Concluiu Graduação em Letras (USP) e Pedagogia (UNINTER). Mestrado pela UNICAMP e Doutorado pela USP, pós-doutorado pela PUC-SP-TIDD-Tecnologias da Inteligência do Design Digital. Concluiu estágios de estudos em Universidades alemãs de Freiburg, Freie Univer. É professora do Lato sensu-PUC-SP-Educação e Novas Tecnologias. Tem trabalhado com diferentes temáticas na formação de professores. Produz conteúdos educacionais. É designer educacional e autora de quatro livros na área de educação pela editora Senac – SP. Seu mais recente livro, lançado em coautoria, é o Curadoria educacional: práticas pedagógicas para tratar (o excesso de) informação e fake news em sala de aula. Editora Senac, 2019.


 

2 comentário em “Microlearning e metodologias ágeis para cursos via WhatsApp

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.