CoBlog | Novas “ensinagens” e “aprendizagens”

Tem gente nova no CoBlog! Naila Neves é farmacêutica, apaixonada por metodologias ativas e educação em saúde fora da caixa. Eu a conheci “garimpando” conteúdos pelo LinkedIn, até que me deparei com um artigo seu que me chamou atenção pela charge do Laerte (que aproveitei para ilustrar este post), seguida do título: Novas “ensinagens” e “aprendizagens”. Pensei: Tem coisa boa aqui…

Se meu  feeling estava certo? Você pode conferir lendo o artigo logo abaixo.


Alguns dias atrás, estava vendo meu twitter (a propósito, minha rede social favorita!), e entre as postagens sobre política, saúde, música e memes, apareceu esta charge de Laerte na minha frente. Comecei analisar os quadros da charge e ela me tocou…. Me tocou, porque essa é a minha discussão dos últimos tempos sobre a nossa educação básica, média, superior. Será que estamos educando nossos alunos para os novos desafios do século XXI? Será que nós, professores, educadores nas mais diversas áreas do conhecimento, estamos preparados para lançar mão novas metodologias de educar, saindo daquele modelo arcaico/cartesiano de ensinar?

Longe de dizer que sou especialista em educação. Sinto que preciso estudar e ler mais. Fazer uma completa imersão nesse universo que sou completamente apaixonada. O que quero expor através deste texto vem das minhas vivências como estudante, como professora e da pequena gota de conhecimento que adquiri (e continuo adquirindo) neste vasto oceano que é a educação e o ensino.

Bom… vocês devem se perguntar: “Como uma farmacêutica quer saber de educação, de ensino?”  Sou filha de professora e vim de uma família de professores e estudiosos. E esse sempre foi o meu sonho: ser professora e cientista. Acho que consegui alcançar meus objetivos através da Farmácia, que me faz uma cientista e professora, ao passo que ensino sobre a farmácia para outros.  Quando penso na palavra “professora” me vem à cabeça umas das mais remotas recordações das brincadeiras de professora com meu quadro de giz e as bonecas que eram minhas alunas. Quando me perguntavam: “O que quer ser quando crescer?” “Quero ser professora e cientista!” As bancas na época do colégio de química, biologia e história. As monitorias da faculdade. As apresentações de trabalho científico. Os professores que inspiraram a ser iguais a eles. E outros que foram a prova de tudo que eu não queria ser enquanto professora.

A lição que eu trouxe depois de um ensino básico regular, um ensino superior, duas especializações (uma em andamento) e um mestrado em andamento (e seguimos contando e aprendendo mais) é que nós, professores precisamos entender que nós temos novos perfis de alunos. Novas competências a serem usadas em favor do ensino e da aprendizagem. Que esse modelo de exposição em slide (muitas vezes com 243 slides terrivelmente diagramados que faz você sentir que o Candy Crush é mais atraente que a aula), onde o aluno é receptor passivo do conhecimento e o professor um transmissor desse conhecimento pode está ficando no passado.

Preocupa-me o cenário que observo nas escolas, faculdades e cursos técnicos. Muitos estudantes entediados. Desinteressados. Logicamente que pensamos que o desinteresse parte do aluno, mas quase nunca pensamos que nossas aulas geram esse desinteresse. Assim como a menina da charge que está dentro da sala de aula e que precisa emergir a superfície para respirar, tomar fôlego, nossos alunos podem estar assim também. Aquelas caras de “SOCORRO! O QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI?!”, ou a feição do mais completo desinteresse é um sinal de que algo em nosso modo de ensinar não está cativante.

Partindo da minha inquietude com a questão, eu comecei a estudar sobre como mudar o jeito de ensinar e aprender, fui atrás de alguns livros. Em mim, sempre imperou a vontade a ensinar de modo diferente. Queria meus alunos mais próximos de mim. Queria meus alunos sendo atores do aprendizado.  Queria algo diferente.

Vivemos em uma ditadura da educação que nos impõe como e o que devemos aprender, sem levar em consideração nossas aptidões, competências e dons. Simão de Miranda, um renomado professor e especialista na área de Educação, em seu livro “Estratégias Didáticas para aulas CRIATIVAS” diz que: “o ato de aprender não é assim poeticamente passivo”, se levarmos em consideração que o significado da palavra aprender em latim é “apanhar”, “recolher”. Aprender é dinâmico, é complexo e esse processo requer, que nós professores tenhamos em mente que uma aprendizagem efetiva deve despertar o aluno para produzir novos conhecimento. Para que a semente que foi plantada pelo professor, germine e cresça. Concordo com Simão de Miranda quando ele diz que ‘as metodologias usuais não dão conta de produzir aprendizagens efetivas’ É necessário que repensemos o modo de ensinar e aprender, para proporcionarmos um aprender produtivo e não apenas reprodutivo.

Essa forma de ensinar centrado no professor, onde o aluno é apenas receptor do conhecimento e o seu professor um transmissor, é o que gera insatisfação em uma sala de aula. Esse modelo engessado de horário definido, slide, copiar até a respiração do professor, provas, trabalhos escritos, uma teoria que não se enxerga na prática, porque não há prática, gera descontentamento, desinteresse, desmotivação. Do outro lado, o professor reclama. “Mas eles não se interessam pela minha aula!”, “Fico desmotivado com as caras de desinteresse”, “Queria que meus alunos se envolvessem mais durante a aula…”  Quando olhamos os dois lados, percebemos que o problema está num espaço comum: a aula.

Embora tenhamos um arsenal de tecnologias ao nosso favor, continuamos centrando o ensino através do oral e escrito. E seguimos formando pessoas, que não curtiram nossas aulas, que não aprendeu nada, para cuidar ou trabalhar com outras pessoas. Deve ser por isso que o Brasil ocupa o 60º lugar no PISA (Progamme for International Student Assessment), que é uma avaliação trienal de competências de estudantes na faixa etária de 15 anos nas áreas de ciências, matemática e leitura (CAMARGO; DAROS, 2018).

Como mudar esse cenário? Como engajar nossos alunos, fazê-los ter prazer de acordar cedo para vir para as nossas aulas ou que o nosso ensino seja mais interessante do que as fases do Candy Crush? Como formar pessoas que estejam preparadas para o dinamismo das situações no mercado de trabalho? Como fazê-los enxergar suas competências?  Caramba…muitas perguntas, não é?

Para tudo isso temos uma resposta, apenas: nós, professores, temos que assumir a responsabilidade e o risco de mudar. Sair da nossa caixinha cartesiana e segura. Precisamos inovar, criar possibilidades de o aluno produzir seu conhecimento. Precisamos de um novo modelo ensino.

Inovar na educação é um campo aberto! É usar a criatividade! As minhas melhores aulas, foram aquelas em que a gente se sentava no chão e jogava algum tipo de jogo sobre a temática. Eram as aulas em que meus alunos produziam o seu conhecimento. As melhores notas foram aquelas no qual eles fizeram projetos, abusaram da criatividade e do humor. Os melhores momentos com os meus alunos em sala de aula, foram quando a aula não tinha cara de aula. Quando a gente atravessava o espaço teórico e colocava aquele tanto de coisa na prática.

As aulas mais inesquecíveis que tive foram aquelas em que eu me conectava com o professor e o conteúdo não só porque era bom, mas porque a gente estabelecia vínculo para além das paredes da escola. As aulas que ministrei se tornaram marcos na minha memória porque eu reconheço os alunos com os quais eu convivi. Porque a gente não era aluno e professor, mas cada um de nós enxergava um ao outro com um ser humano cheio de suas particularidades.

Portanto, professores (as), aluno (as), amigos (as), educadores (as) e outros tantos apaixonados pela educação: está na hora de repensar o ensinar. Que tal aprendermos juntos sobre isso? Que tal a gente começar a estudar mais sobre metodologias ativas da educação? Vem comigo e vamos construir juntos uma nova forma de educar para que não seja necessário que nenhum aluno precise sair em busca de ar fresco, já que metodologias engessadas geram aulas “sufocantes”.

 

REFERÊNCIAS
  • CAMARGO, F; DAROS, T. A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo. Porto Alegre: Penso. 2018. 123p.
  • MIRANDA, S. Estratégias didáticas para aulas criativas. Campinas, SP: Papirus. 2016. 127p.

Naila Neves é farmacêutica graduada pela Faculdade Independente do Nordeste, Especialista em Farmacologia Clínica e Prescrição Farmacêutica pelo IBRAS, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Memória: linguagem e sociedade. Foi Farmacêutica Responsável Técnica Substituta na rede de Farmácias Pague Menos; Professora de curso técnico pelo CEBRAC. Atualmente é Farmacêutica Hospitalar Assistente na Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista/Hospital Municipal Esaú Matos.


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